sábado, 7 de novembro de 2009

O Início.

Em 1996, o DJ Yanay criou o Programa de sets mixados Underground Beat, que tinha o formato de duas horas de duração e era transmitido em FMs alternativas e comunitárias no Rio de Janeiro.


Antes de começar essa empreitada, Yanay fez um curso de locução durante um ano na Escola de Locutores do Brasil na Urca (RJ) e já estudava e pesquisava muito sobre Música Eletrônica desde o final da década de oitenta.


A proposta nessa época era divulgar e passar a cultura da Música Eletrônica para um público que desconhecia o que realmente era isso.


Nesse mesmo ano, Yanay convidou o DJ Péricles (líder do B.U.M. que era um grupo formado por DJs e produtores de E Music na Baixada Fluminense), o líder do grupo ficou impressionado com o formato, a dinâmica e principalmente a didática que era a marca registrada do Underground Beat, sempre informando detalhadamente sobre as mídias utilizadas e passando em cada edição a diferença entre os estilos e suas respectivas origens.


Ainda em 1996, Péricles convidou Yanay para fazer parte do lendário grupo B.U.M., sendo assim, Yanay foi o pioneiro a implementar o Drum & Bass, Jungle e Gabba nas festas filantrópicas e pagas que eram realizadas na periferia carioca, dessa forma o grupo B.U.M. também era Undeground Beat.


Em 1997, o nome Underground Beat vira marca de roupa e também se inicia a sigla Club U.B. (Club Underground Beat) que posteriormente virou nome de um fanzine.


Sempre que o Programa Underground Beat tinha uma estréia em outra rádio, os jornalistas Carlos Albuquerque e Tom Leão davam uma nota no renomadíssimo Jornal O Globo na coluna Rio Fanzine, que era exatamente um espaço alternativo que comentava sobre sons Underground em todas as vertentes, com isso a audiência se tornou um ícone nos áureos períodos quando as FMs alternativas e comunitárias estavam em evidência no Rio de Janeiro devido a própria situação ilegal das mesmas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

História da Música Eletrônica Pt. 01


Primeiros anos

Data de 1897 o mais antigo instrumento musical electroacústico, foi uma invenção de Thaddeus Cahill conhecida como Dinamofone ou Telarmônio. A máquina consistia num dínamo elétrico, associados a indutores eletromagnéticos capaz de produzir diferentes frequências sonoras. Estes sinais eram comandados por um teclado e um painel de controlos e difundidos pela linha telefônica, cujos terminais estavam equipados com amplificadores acústicos, colocados em locais públicos.

Veio a verificar-se que a emissão musical interferia com as chamadas telefônicas, o que era insustentável. O instrumento tinha a capacidade de sintetizar sons com os timbres desejados por sobreposição de parciais harmônicos. O sistema que permitia este desempenho tornava a máquina extremamente complexa e de dimensões gigantescas.

O compositor Ferrucio Busoni mostrou interesse pela invenção, potencialmente geradora de novos conceitos harmônicos, não tendo no entanto apoiado diretamente o projeto. Com o final da Primeira Guerra Mundial os primeiros avanços foram no sentido de tornar os equipamentos mais econômicos e compactos.

Uma dessas invenções foi o Thérémin (teremin), desprovido de teclado, munido de dois detectores de movimento que controlavam o volume e a altura do som a partir do movimento livre das mãos do executante. Apesar das contribuições de vários compositores da época, na atualidade, as Ondas Martenot são o único exemplo vivo em obras como ‘Turangalîla’ e ‘Trois Petites Liturgies’ de Olivier Messiaen.

Mais tarde surgiram instrumentos polifônicos como o Givelet e o Hammond Organ, cujos potenciais foram imediatamente reconhecidos e explorados. O Givelet tinha a capacidade de ser programado, o que foi mais tarde largamente ultrapassado pelos sintetizadores e pelos computadores que viriam a surgir cerca de vinte e cinco anos mais tarde.

O movimento Futurista, iniciado pelo poeta Filippo Marinetti rapidamente se expandiu pela Europa na defesa da liberdade da expressão artística, que se revelou na música pela utilização de técnicas de produção sonora não convencionais até então.

Luigi Russolo propôs na década de 10 em The Art of Noises, a composição musical a partir de fontes sonoras do meio ambiente, na busca da variedade infinita dos ruídos. O efeito prático desta proposta foi a construção de instrumentos produtores de ruído como o Intonarumori.

O compositor francês Edgard Varèse foi pioneiro na exploração de novos conceitos de expressão musical. A sua técnica de instrumentação revelava uma roptura com a escola vigente no Conservatório de Paris, quebra essa absolutamente necessária para a aceitação de fontes eletrônicas na composição musical.

O conceito de análise e de “regenese” dos sons foi explorado por Varèse na sua obra instrumental, obrigando-o a utilizar os instrumentos como componentes de massas sonoras de diferentes timbres, densidades e volumes.

As aspirações de Varèse no campo da música eletrônica foram bloqueadas por razões financeiras e pelo deficiente apoio que recebeu. As obras teóricas de Thérémin, inventor do instrumento com o mesmo nome, debruçavam-se sobre os princípios analíticos na música de forma sistemática e científica, antecipando a metodologia da composição de música eletrônica.

Darius Milhaud e Percy Grainger utilizaram a capacidade de gravação e reprodução em vinil para deformar sons gravados através da variação da velocidade de leitura.

Hindemith interessou-se especialmente pela capacidade de reproduzir os sons dos instrumentos acústicos eletronicamente, idéia que Varèse conseguiu contornar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A música no cérebro



Provavelmente o desenvolvimento mais importante na investigação científica sobre a música, foi a descoberta de que a música é percebida através da parte do cérebro que recebe os estímulos das emoções, sensações e sentimentos, sem antes ser submetida aos centros cerebrais envolvidos com a razão e a inteligência.


Schoen e Schullian explicam este fenômeno: Música, que não depende das funções superiores do cérebro para franquear entrada ao organismo, ainda pode excitar por meio do tálamo o posto de intercomunicação de todas as emoções, sensações e sentimentos.


Uma vez que um estímulo foi capaz de alcançar o tálamo, o cérebro superior é automaticamente invadido, e se o estímulo é mantido por algum tempo, um contato íntimo entre o cérebro superior e o mundo da realidade pode ser desta forma estabelecido.


Tempo e espaço não permitem uma abordagem completa da percepção musical.


É suficiente dizer que estudos nos últimos cinqüenta anos têm trazido algumas descobertas bastante significativas, que podem ser resumidas da seguinte forma:


1-A música é percebida e desfrutada sem necessariamente ser interpretada pelos centros superiores do cérebro que envolve a razão e o julgamento.


2-A resposta à música é mensurável, mesmo quando o ouvinte não está dando uma atenção consciente a ela.


3-Há evidências de que a música pode levar a mudanças de estados de espírito pela alteração da química corporal e do equilíbrio dos eletrólitos.


4-Rebaixando o nível de percepção sensorial, a música amplifica as respostas, toque e outras percepções sensoriais.


5-Tem sido demonstrado que os efeitos da música alteram a energia muscular e promovem ou inibem o movimento corporal.


6-Música rítmica altamente repetitiva (minimalista) tem um efeito hipnótico.


7-O sentido da audição tem um efeito maior sobre o sistema nervoso autônomo do que qualquer outro sentido.


É justamente por esses fatores que certos DJs conseguem conduzir melhor uma pista de dança, os timbres sonoros, quando bem misturados (mixados - set DJ), acabam criando uma nova sonoridade, algo que os músicos entendem bem melhor comparados aos DJs que nunca estudaram música.


De uma certa forma os próprios músicos ficam impressionados, não sabem como os DJs que nunca estudaram harmonia ou teoria musical conseguem fazer essas junções de uma forma tão perfeita.


Atualmente existem muitos DJs que estudam música e é por isso que muitas vertentes dentro da Música Eletrônica cresceram de forma mais organizada que outros segmentos.


Essa questão dos próprios DJs produzirem as músicas, eles sabem quais são os timbres que 'batem' melhor na pista e muitos músicos que não são DJs não gostam muito dessa forma de produzir, acham esse som repetitivo, sem arte e acabam não aceitando certas concepções.


Música boa não depende de estilo e sim da percepção certa para tocar no momento exato, tem muitos DJs com ótimo material desenvolvendo set da forma errada, olhar para a pista de maneira “clínica” é o tempero ideal para agradar o público.


Não se esqueça que nem sempre o público está querendo ouvir a mesma coisa toda semana, segmentação não quer dizer bitolação!


Cada um com o seu cada um...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Técnicas de mixagem (set DJ) Pt. 05


Recordo certa vez, quando eu fui a um evento em 1996 que um DJ que tocava House não mixava nenhuma música, ele simplesmente esperava um drop ou um final de break de saída e cortava para a outra música, sem mexer em equalização, pitch e nada!


O repertório era fantástico e a pista lotou, fluiu e depois dele entrou um DJ que também tocava House, era outra vertente da House Music (Hard House), muito técnico, passagens absurdas e a pista se manteve no clima, às vezes ele ‘viajava’ e mandava uma Disco Music no meio do set e a pista não aceitava, mais ele era muito experiente e só tentou isso duas vezes, desistia e recuperava rapidamente o fluxo da pista.


Em seguida entrou um DJ de Techno com uma boa técnica, não se comparava com esse do Hard House, só que esse de Techno era infinitamente mais criativo, e suas interseções na pista faziam o público ir ao delírio, também era um DJ ‘cascudo’ (antigo) e fez bem o dever de casa.

O primeiro DJ da noite que não tinha técnica nenhuma foi aquele que fez o melhor set, manteve a pista lotada, o segundo deu um show de técnica, tentou algumas proezas de tocar dois tunes de Disco Music para um público muito jovem e acabou dispersando um pouco a pista, como era muito experiente recuperava rapidamente o fluxo, o útimo que era o mais criativo já pegou a pista com um fluxo bom, porém não lotada, já que o segundo DJ perdeu um pouco a pista no final do set.

Se o(a) DJ conseguir aliar a técnica com um bom repertório o set fluirá de uma maneira ótima (dependendo do público, tem noites que nada flui, existem edições que um grupo de pessoas vai comemorar o aniversário do primo de uma prima da faculdade e leva um grande número de pessoas que não conhecem o tipo de som que toca no clube, pode ser o melhor DJ do mundo que não vai conseguir fazer pista, como tocar Trance em pista de Drum & Bass ou forró em pista de House?).

Um bom repertório de acordo com o público de uma determinada noite tocado com uma técnica ‘feijão com arroz’ é mais eficaz comparado a um set tecnicamente perfeito tocado para si mesmo, ou seja, tem DJ que só toca o que gosta e não se importa com a pista e isso já é um problema sério, não se pode confundir Hobby com trabalho e existem DJs que não percebem que em uma boate ou clube a maioria dos profissionais dependem desse emprego para sobreviver, tem a equipe do bar, os seguranças, os taxistas, o(a) gerente, os(as) faxineiros(as), os(as) próprios(as) DJs e etc.

Técnicas de mixagem (set DJ) Pt.04


Ao checar na pré-escuta as músicas em zero dB (em casos de problemas de volume na saída do fone pode-se checar com o volume de ganho em 2dB ou 4dB, nunca se esquecendo que ambas as músicas devem estar com o mesmo ganho checado previamente nesses mesmos valores), o volume do master de acordo com o fluxo de pessoas na pista, tem DJs no mundo inteiro que pegam uma pista cheia de uma forma e por determinados motivos de repertório ou outro qualquer vai perdendo o controle do público, a pista esvazia e os DJs continuam tocando com o mesmo volume como se estivessem com a mesma cheia ou lotada.

Se por um acaso a pista esvaziar, diminua o volume para as pessoas que estão na pista, caso contrário, essa pessoas sairão e a coisa ficará ruim para recuperar os ‘buracos’.

A pré-escuta para muitos profissionais às vezes é um mero enfeite colorido no mixer, e os erros de volume acabam deixando o set mixado desagradável, pois o ser humano tem um certo limite auditivo, set com o volume distorcido ou equalização feita de uma maneira inadequada acabam contribuindo para uma pista vazia, sem pegada e muitas das vezes os DJs não entendem, acham que um ótimo repertório é tudo.

A culpa é do DJ?

A maioria dos DJs aprenderam a tocar olhando outros DJs, com isso dão prosseguimento aos mesmos erros, a finalização é bem parecida, não conseguem manter uma pista cheia, ou fazerem pista com esses pequenos erros de volume e equalização, algo que é facilmente resolvido na pré-escuta.

Técnica e repertório.

O que é mais importante em um set de um(a) DJ?

Uma boa, ótima, espetacular técnica ou um ótimo repertório e uma técnica ‘feijão com arroz”?

Tudo dependerá da visão do(a) DJ, em certos casos um repertório sendo desenvolvido com um olhar clínico na pista, mesmo com uma técnica limitada acaba surtindo mais efeito comparado a um set ‘montado’ em casa e tecnicamente perfeito.

Técnicas de mixagem (set DJ) Pt.03




No caso de vocal com vocal é necessário não misturar mensagens que entrem em conflito com o arranjo de uma música com a outra, pode-se mixar vocal com vocal, mais isso deve ser minuciosamente estudado antes, sem improvisos, não fazendo de forma insegura, achando que isso é ‘feeling’.


Um Top DJ profissional estuda detalhadamente as combinações, não é levar um set montado de casa para a pista, porque isso não funciona, o ideal é levar ‘partners’ (várias combinações), ou seja, músicas que “casam” perfeitamente nas mixagens, seja uma com timbres pesados, leves, vocais, instrumentais, não importa, existem casos em que o DJ precisa tocar mais pesado ou mais leve, então os partners funcionam dessa forma.


Volume


Item importantíssimo no set de qualquer DJ no mundo, relacionado a um dos fatores principais de uma pista vazia, sem êxito ou fraca.Em qualquer mixer existe uma pré-escuta, aonde o(a) DJ deve checar o volume das músicas no ponto mais cheio delas. No caso de versões de 12” ou CD single com músicas que tenham uma duração de mais de cinco minutos, deve-se avançar até uns dois minutos e trinta segundos para deixar a música em zero decibéis (dB) no ganho (ver no led do mix), em músicas com versões editadas que tenham uma duração de três a quatro minutos, deve-se avançar somente um minuto e isso já será o suficiente para fazer a apuração do volume.


Qando se checa a música em zero dB no vinil ou no CD, isso garantirá um set sempre com o mesmo volume (acertando de acordo com o número de pessoas na pista, em início de set, no caso warm up, o volume do master não poderá estar em zero dB, pois isso seria muito alto com a pista ainda vazia, e sim em -4 dB, claro que isso dependerá de uma série de fatores.


Dependendo do rack que estiver montado para o evento e também a acústica do espaço físico, em certos locais o master terá que ficar em +2dB com a pista cheia, nem sempre o set up montado funciona bem, pois certos DJs acabam desregulando o rack e o som fica fora desse quesido do zero dB não esquecer de manter o led do master também em zero dB (com a pista cheia ou dependendo do caso lotada).





Técnicas de mixagem (set DJ) Pt.02


Relação de custo e benefício de determinadas marcas de equipamentos?

Típica pergunta que chega a 100% na dúvida de todos(as) os(as) futuros(as) DJs no Curso de DJ Casa da Matriz By Yanay.

Sem sombra de dúvida, esse é o fator mais importante em qualquer investimento feito por quem está interessado(a) em ingressar nessa promissora profissão, a questão da relação custo x benefício.

A resposta pode ser simples, ou complexa dependendo do ponto de vista de cada um.

Primeiro deve-se levar em conta os custos para só então pensar nos benefícios, se o custo for alto, dependendo da situação de retorno, valerá investir, caso contrário, alugar um equipamento juntamente com mais três ou quatro colegas no final de semana para treinar será a melhor opção nesse caso, então nem pense nos benefícios.

Essa relação na maioria das vezes acaba adiando certas decisões na vida de um(a) futuro(a) DJ.

O gasto inicial em equipamento profissional pode chegar a mais de R$ 8.500,00 dependo da marca escolhida e do objetivo de cada um, se for montar uma case completa com: CD Player, toca-disco, fone, mixer, P.A. (power amplifier); isso sem contar com o custo inicial altíssimo com o material em CDs, vinis (12”, EPs, álbuns), então a coisa fica nessa situação, sem esquecer que tudo citado acima trata-se de materiais importados.

Os sonhos dos(as) grandes empreendedores(as) nessa área representam para eles(as) os benefícios que suas idéias poderiam lhes trazer ou trazer para outras pessoas.

Mais comparando esses sonhos com a dura realidade que essas despesas representam, os sonhos superam todas as análises de custo.

Do contrário, muitos(as) DJs não teriam optado em deixar de comprar outras coisas, ou aplicar esse capital em algo mais rentável para investir pesado em equipamento profissional e realizar um simples sonho, ou um meta profissional traçada.

Com todos esses benefícios bem apresentados (a realização de um sonho ou meta traçada), demonstrados e comprovados, os custos já se tornam pequenos ou pelo menos suportáveis e passíveis de serem enfrentados quando se tem um capital disponível nesse hipotético valor “simbólico” de um pouco mais de R$ 8.500,00.

Se mudarmos o termo para benefício x custo, descobriremos muitíssimas coisas até agora ignoradas ou pouco valorizadas em nossas concepções.

Esse assunto é tão interessante, que as técnicas de mixagens foram deixadas de lado nessa postagem, na próxima teremos muitas dicas importantes.